conservar mata

It was almost a year ago, but I still believe in what I said in my talk at the TEDxVimaranes: artisanal techniques should not be preserved.
From that moment on I have been stoping myself from using words like “conservation”, “tradition” and “memory”, and if there was a time when I used them it was because I didn’t know what they really meant in the context of what I had been defending. They mean “death”.
So, here’s the video, where you can see me make my case for artisanal high tech and its evolution for the future .
Unfortunately, it’s not subtitled, so you would have to understand a little bit of portuguese – yes, I know that’s very unlikely…

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Já foi há quase um ano, mas acredito cada vez mais naquilo que preparei para dizer na apresentação do TEDxVimaranes: o trabalho artesanal não deve ser preservado.
Desde então que tenho feito questão de remover do meu léxico palavras como “conservação”, “tradição” e “memória”, e se houve uma altura em que as proferi, foi porque não sabia o que queriam dizer no contexto do trabalho que tenho vindo a defender. – significam “morte”.
Por isso, fica aqui o vídeo, onde me podem ver a apresentar o meu caso a favor da alta tecnologia artesanal e da sua evolução para o futuro, e também a engasgar lá para o meio porque o vídeo não correu, que é para se rirem um bocado.

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14 thoughts on “conservar mata

  1. Ai menina Alice…
    Confesso que as palavras deste post me deixaram deveras curiosa… Que pujança!
    Confesso que tive que ver o vídeo duas vezes para achar que percebi.
    Confesso que, a ter compreendido, tens razão naquilo que dizes e defendes e queres ver acontecer.
    Confesso é que acho que nem sempre escolheste as palavras certas nem os exemplos mais convincentes.
    Porque, se percebi bem, o que tu queres é mesmo continuar a preservar, a conservar e a manter vivas as tradições pitorescas (repara que referes que a técnica do Zé Machado é porventura uma “sedimentada ao longo de séculos”), como lhes chamas, que andam por aí muito escondidas debaixo das lãs dos cordeiros da tua foto. Queres é fazê-lo, não no passado, nem com o cheiro a mofo da memória nem dos livros de história, mas agora mesmo, e dar-lhes um toque que talvez nunca tenham tido ou que ainda não tenha sido apreciado duma forma eficiente: o da altíssima qualidade e o da grandessíssima utilidade. Ou seja, continuar a/o saber fazer manual como antigamente, ou até mesmo com algumas pequenas alterações, adaptando-o no seu aspecto estético aos dias que correm e aos que hão-de vir, ao mesmo tempo que gostarias de ver igualmente o modo como até aqui as características pitorescas da coisa (como se quem o fizesse fosse animal em extinção preservado no melhor dos zoos, fazendo piruetas para inglês ver) se orientasse, obviamente, e muito acertadamente, primeiro, para uma perspectiva mais moderna de ligar pessoas que fazem muito boas coisas mas não sabiam que havia mais como elas, nem que o seu trabalho pudesse ser tão complementar; segundo, que essa sua mais-valia (poder, como o apelidas) pudesse ser encarada numa perspectiva de mercado que não o do turista da cidade ou do outro lado da fronteira.
    Acho que isso é um excelente caminho, o de fazer com que este saber fazer artesanal se torne quase corriqueiro, e que a ele muito esteja associado a marca de excelência e qualidade, precisamente, mas não só, porque são saberes que valem mais porque se apuraram com o tempo.

    • Não exactamente, Rafaela.

      O que apresentei no TEDx não foi uma lista de coisas que eu faço, mas uma ideia em que acredito, que é na evolução da tecnologia artesanal por oposição à preservação de uma ideia falsa das coisas que se faziam “antigamente”.
      Não quero continuar nada como “antigamente”. Não quero dar “toques” modernos. Não quero aliar design e artesanato para fabricar souvenirs de autor.

      O que quero mesmo é perceber que tipo de conhecimento e experiência é que é valioso, porque isso tem lugar para evoluir para o futuro. Os registos que faço são uma base de técnicas que podem ser alteradas, trabalhadas, levadas para a frente. E não sou eu que tenho dedicação e tempo para as fazer evoluir – têm de ser os próprios artesãos na sua prática. Eles e quem mais quiser trabalhar com eles, seja de que área for.

      Há pessoas que quando olham para a fotografia dos cordeirinhos vêem um defender das tradições (que não é a minha intenção), e há quem perceba que o objectivo é retomar a linha de evolução de um tipo de conhecimento que se estava a perder, e não preservar seja o que for.
      Se é uma velhinha no meio do monte que tem o conhecimento que me interessa registar, para mim é tão bom como se for um jovem em ambiente urbano.
      Só quero saber como é que eles fazem o que fazem, e porque é tão bom.

      E o melhor disto tudo é que para o ano a minha opinião em relação a este assunto já terá novamente evoluído, tal como evoluiu bastante desde que dei início ao projecto. Assim espero eu.

    • Claro que já conheço o Projecto Tasa, Rafaela.
      A pesquisa deles é muito boa e o envolvimento com os artesãos também. Temos esse ponto em comum, que acho que é o mais difícil de encontrar por aí. No Projecto Tasa eles aprofundam de facto a aprendizagem de uma técnica e tentam reinventar o resultado.
      Os nossos objectivos só divergem a partir daí, como deve ter reparado pelo comentário que lhe deixei anteriormente.

  2. Alice, agradeço-lhe profundamente por me trazer outros mundos ao meu mundo. Parece-me que, enquanto artesã e também consumidora, o estímulo para que se faça mais e melhor consegue-se com um aumento do consumo das peças feitas segundo técnicas artesanais e, como sabemos, pelo tempo que demoram a fazer e também pelos materiais utilizados elas ficam muito caras para o consumidor comum. Julgo que é este o grande entrave para que este saber não se perca e evolua: o preço final. Bem sei que há pessoas despertas para estas questões e que valorizam os materiais de qualidade e o esmero de quem as faz, não se importando de pagar caro por uma peça bela e única mas a grande maioria das pessoas, ainda que sensível à beleza e qualidade, não as pode pagar. Tenho algum receio de que o trabalho artesanal continue a ser produzido para nichos de mercado, que continue a sobreviver e não a viver. Uma vida rica, saudável e próspera, para bem de todos.

    • Cristina, eu percebo o que diz, mas essa é uma questão demasiado complexa para ser resumida assim.

      Artesanal não equivale necessariamente a caro. Industrial não equivale a barato e acessível.
      Artesanal também não equivale sempre a muito bom e Industrial não equivale a falta de qualidade. E depois temos processos mistos de produção que baralham a categorização toda, mas que são muito válidos e interessantes.

      Temos é de ter noção do que estamos a pagar em cada situação. Se essa análise for feita, vai ver que em muitos casos vai preferir pagar 1x mais caro por um produto muito melhor que lhe vai durar a vida toda, do que 10x por um produto fraco, porque vai ter de o comprar múltiplas vezes.
      O problema talvez seja que o nosso raciocínio está formatado para o imediato. O meu incluído, que nasci e cresci numa sociedade de consumo rápido.

  3. Eu gostei de rever novamente este vídeo (recentemente). Acho o projecto audaz, mas tem alma, tem braços que ousam fazer diferente. Faz-nos pensar (pensar muito) e faz-nos posicionar de forma diferente face ao consumo.

  4. Tinha comentado antes de ler publicados estes dois últimos comentários e acrescento isto, concordando com o que disse a Alice: sou economista de formação (interesso-me naturalmente por estas questões do preço/qualidade/motivações do consumo) e sou também da geração do consumo rápido, do ter tudo à mão, mas (felizmente) cresci e fui educada numa família humilde da classe média e sempre aprendi que “os pobres têm que comprar bom porque só podem comprar uma vez”.
    Sim o nosso raciocínio está formatado para o imediato, para o ter muito, mas sinto devagarinho algo começa a mudar…

    • Nem vou dizer o quanto adoro ver uma economista interessada neste tópico. Quem me dera que houvessem mais que levassem este assunto a sério.

  5. Absolutamente brilhante, Alice! Conseguiste verbalizar de fome simples mas eloquente algumas coisas que já me tinham passado pela cabeça, mas também muita coisa em que nunca rinha pensado. Acho a tua palestra profundamente inovadora e inteligente. Parabéns!!

  6. Hi Alice,

    Is there any way I can get hold of English version of your argument for ‘artisanal high tech’? Even a brief summary would be great, just so I get the gist of it.

    The reason I’m interested is because I’ve trying to make a living out of artisanal, handcrafted items. (I love making things with my bare hands, so much that I quit a stable job and took on freelancing, so I could dedicate more time to it!) However, I seem to be always torn between the efficiency of machines (which lowers costs for consumers) vs. hand-based craft (which is more gratifying and human).

    What’s your opinion on how we can reconcile those two contrasting methods of production?

    Thanks!

    • hello acharaju,
      unfortunately, there’s no translation for the video…
      My TEDx talk was about explaining my point of view on how artisanal production has a place in our world that doesn’t interfere with the industrial production, as I think that each one has a place of its own. Then, I go on to explain it point by point. One of those points is when I mention the “artisanal high technology”: when it comes to artisanal production, usually the means of production are short (short on raw matter, short on tools, short on everything) and the best craftmanship still needs to be accomplished with these meagre means. But these apparent dificulties actually led to an incredible evolution and learning process of manufacture that is parallel with civilization itself. Having it more difficult, actually means that man had to learn how to manipulate raw materials, create simple tools and understand nature itself in order to do it in the most efficient way. This process of learning never ends, of course. My example, for this point, was that of a shoemaker that sews shoes with a boar bristle, not a needle (you can watch a video here). It may seem retrogade, but it is actually highly efficient, as the boar bristle is resisten and flexible at the same time (it needs to bend to 45º degrees) and, unlike a steel needle, it runs smoothly through the hole in the leather.
      Basic tools and materials, high efficiency. That’s what I called “artisanal high technology” and there’s no industry process to replace it.

      But I am no fundamentalist about handmaking.
      I’ll choose “quality” over “handmade” every day, especially because just being handmade doesn’t guarantee that it is well made. However, when the process of making something by hand adds something that couldn’t be obtained any other way, that’s when I value it the most, and that’s when I think that “handmade” becomes irreplaceable and desirable.

      So, my opinion is that you need to think if completely handmaking your product adds something that will be lost when you start using machines. Will the raw materials be less interesting? Will you loose on the details? Will it loose its one-of-a-kind attribute? Will it loose its soul? How do you feel when you make it completely by hand and when you use a machine?
      This is a very personal thing.

      Also, I can’t be very specific on this because I don’t know your work and therefore don’t know what we’re talking about specifically…

      • Hi Alice,

        Thanks for the response. It really helped to provide perspective to what and why I was setting up my small business.

        To elaborate, I’m making leather handbags assembled through folds, tucks, and pleats which are held in place with rivets and minimal stitching .The results are structured handbags with clean lines that also offer high functionality because the way it has been assembled has naturally created slots/compartments for iPads, mobiles, passports, keys, cards, pieces of paper, and the like.

        The questions you’ve asked are really helpful and I think it has guided me to an answer for myself. I’ll make the bags by hand for now because I enjoy the process, but if the business picks up and I can’t catch up with demand, perhaps I’ll think differently.

        I also like your point about “Having it more difficult, actually means that man had to learn how to manipulate raw materials, create simple tools and understand nature itself in order to do it in the most efficient way.” It applied to me and my project, since I only came up with the rather unique ways of making the bags because it was the most efficient approach I could think of!

        BTW, I stumbled up on this site on ‘Artisanal Innovation’ and thought you might find it interesting, but bear in mind they’ve only just set up: http://www.makewaymag.com/.

        Love your blog posts! Thanks again!

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