Este Anuário do Porto de 1947 não é meu, mas tenho a sorte de ter amigos que têm armários recheados com coisas bonitas como esta e que mas emprestam para folhear de uma ponta à outra. A lombada com um anúncio à Leitaria da Quinta do Paço e à Kodak – que combinação improvável – foi o que me chamou atenção.
Trouxe-o porque está repleto de anúncios do tempo em que mesmo as coisas que só tinham uma finalidade prática e temporária eram produzidas com algum esmero, mas lá dentro também encontrei um Porto tal como era no final dos anos 40, não em imagens, mas em milhares de ofícios e ocupações – muitas mais do que as que temos hoje.
No final está um capítulo fabuloso intitulado “Roteiro Profissional do Porto”, que organiza por ruas todas as lojas, artesãos e unidades de produção que por lá existiam.
Há coisas que me vêm parar às mãos quando tem de ser, e esta é uma delas.
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This 1947 phonebook for the Porto area doesn’t belong to me, but I’m lucky enough to have friends with closets filled with beautiful things that I can borrow. What caught my attention was the advertisements to the Leitaria da Quinta do Paço and Kodak on the spine- an improbable combination.
I brought it with me because it is filled with ads from the time when even things that were temporary and had a practical purpose were made with care, but inside I also found a Porto just like it was by the end of the 1940′s, not in pictures, but in thousands of crafts and factories – many more than we have today.
In the end there’s a chapter called “Professional Guide of Porto”, that organizes by street all the shops, craftsmen and production units that existed at the time.
Some things just end up in my hands when they are supposed to, and this is one of them.
















6 Responses
o que eu fazia para poder folhear esse livro!
Pode folhear no Arquivo histórico do Porto, casa do Infante. Tem lá vários anuários.
Obrigada, Flávio!
Obrigada :)
Que tesouro! Do Porto que cresci a ouvir histórias do meu avô, que era comerciante e ia lá para se abastecer regularmente, pouco ou nada restava quando para lá fui estudar. Apenas os vestígios de uma baixa outrora vibrante de negócios, serviços e vida, presentes em tipografias, caixilharias de montras ou um raro resistente que desfiava as memórias a quem lhe entrasse na loja com mais cinco minutos que o pressuposto… É urgente trazer estes saberes de volta à vida urbana, dar-lhes o devido valor e dignidade, são uma identidade, um “saber fazer” que vai desde o sapateiro à gráfica, do barbeiro ao alfarrabista… não que se queira um regresso ao passado, mas uma reabilitação do presente e um futuro mais confiante.
os números de telefone com três e quatro dígitos apenas.
que preciosidade.